Arco-Íris

Forças Armadas: intolerância

por Cássio Rodrigo


Declarações de militares causam polêmica


O general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho durante sabatina na CCJ do Senado Federal (foto Agência Senado)

Para almirante, a castidade é condição de permanência de homossexuais nas Forças Armadas (desenho de Tom of Finland)

Em audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, dois oficiais do alto escalão das Forças Armadas brasileiras, indicados para ocupar vaga de Ministro do Superior Tribunal Militar (STM) posicionaram-se contrários à presença de homossexuais em suas fileiras.
Questionados pelos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Eduardo Suplicy (PT-SP) se eram favoráveis ao ingresso de homossexuais em quaisquer das Forças ou se defendiam a exclusão dos mesmos, o Almirante Álvaro Luiz Pinto fez um paralelo com a política defendida pela igreja, ou seja, podem ter gays, desde que sigam o voto de castidade. Se o militar não externar ser homossexual não haverá problema. “Eu acho que fazendo uma similaridade com as Forças Armadas, eu não tenho nada contra desde que ele mantenha sua dignidade, a dignidade da farda, do cargo e do trabalho que executa. Se ele exercer sua dignidade, sem nenhum problema".
Já o General Raymundo Nonato de Cerqueira Filho declarou abertamente: “se ele é assim, talvez tenha outro ramo de atividade que possa desempenhar. Não vejo que seja compatível. Há vários casos estudados da Guerra do Vietnã que mostra que ele perde o comando. A tropa não obedece indivíduo desse tipo”.


Estados Unidos está revendo sua política de proibição de homossexuais nas Forças Armadas

O general disse que iria responder “de uma maneira sincera”. “Não que eu seja contra o homossexual, cada um tem que viver sua vida. Entretanto a vida militar se reveste de determinadas características que, em meu entender, podem não se ajustar ao comportamento desse tipo de indivíduo”.
Cerqueira Filho declarou, ainda, que a maioria dos exércitos do mundo não admite militares homossexuais: “o exército americano está discutindo ainda, mas os casos que ocorreram, mesmo no exército americano, foram praticamente rechaçados”.
As declarações polêmicas causaram desconforto entre os senadores da CCJ e, o senador Eduardo Suplicy já afirmou que pretende pedir nova oitiva dos candidatos à vaga do STM. Ele irá protocolar requerimento solicitando realização de nova audiência.


Alexandre, o Grande, imperador e lider militar de seu povo, tinha preferência por homens

O presidente nacional da OAB - Ophir Cavalcante: lastimável as declarações dos militares

Como a CCJ tem como um de seus princípios fundamentais a dignidade da pessoa humana, sem preconceito de sexo, cor ou idade, quero sugerir que possamos ouvi-los de novo para exporem que não estão contra a Constituição”, declarou o senador.
A Comissão, contudo, informou que tal possibilidade não consta do regimento do Senado Federal e precisará ser analisada.
Grupos de defesa dos direitos LGBT e de direitos humanos têm se manifestado. A Ordem dos Advogados do Brasil divulgou nota, dia 04, condenando as declarações do general.


O ex-BBB Jean Wyllys expressou em seu blog o desgosto com as declarações

Para Ophir Cavalcante, presidente nacional da OAB, “é lamentável que este tipo de discriminação ainda continue existindo nos dias de hoje nas Forças Armadas brasileiras”.
Para ele a carreira militar exige disciplina, treinamento e a defesa do país, nos termos da Constituição, independentemente da orientação sexual de cada um.
O ativista e ex-BBB Jean Wyllys publicou em seu blog o repúdio às declarações: “claro que existem homossexuais que não estão aptos aos esportes nem às Forças Armadas, porém isso não quer dizer que todo ou qualquer homossexual não esteja; até porque os militares enrustidos estão cumprindo bem suas funções. Nem todos os heterossexuais estão aptos a servir o Exército, Marinha e Aeronáutica. Se o tivessem, as Forças Armadas não dispensariam tantos em época de alistamento militar. Sendo assim, não é a orientação sexual que conta!
“Logo, o Exército, a Marinha e Aeronáutica não podem dispensar um militar apenas porque ele é homossexual assumido. O general Cerqueira Filho precisa reconhecer e admitir que os filhos homossexuais da pátria amada e idolatrada também não fogem à luta e nem, por adorá-la, temem a própria morte”, finalizou.




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2 COMENTÁRIOS

melissa

fala serio, acho q ele n falou nd d+ disse o q é certo,boiolada q vão procuram outra profissao,vao ser cabeleireiros,manicures,massagistas,kkkkk q nas forças armadas é lugar pra MAcho,

francinete ribeiro da silva

Acho o comentário do general muito bom, ele está certo, os diferentes NAO devem estar nas forças armadas! ali é lugar de machos! até porque os coloridos não querem ficar lá, então cada qual procure seu cada qual e pronto.

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