Cinema
Ano novo, coluna nova.
16 Janeiro , por Joana Prata
De volta!
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Após um longo e não muito apreciado recesso, retorno às minhas atividades aqui nessa coluna que andou um pouco ociosa, eu sei. Talvez, eu estivesse (in)conscientemente apoiando a causa dos colegas escritores que andam sendo a causa da maior comoção em Hollywood nos últimos tempos. Ou talvez eu estivesse tentando contornar a greve (que deixou as coisas bem paradas na Califórnia), buscando trabalho em outras bandas do mundo, o que consumiu grande parte do meu tempo. De uma forma ou de outra, a verdade é que resolvi retomar as atividades por aqui de uma maneira um pouco mais pessoal e escrever sobre a crise que se instaurou na indústria do entretenimento norte-americano de uma perspectiva de quem vê de perto as consequências disso tudo.
Poderia, por exemplo, escrever sobre todas as causas da paralização dos escritores e roteiristas, expondo as razões disso tudo, porém existem outras milhares de fontes muito mais seguras para esse tipo de informação. Resolvi expor, no entanto, o caos silencioso dos milhares de atores no início de carreira, que viram suas intensas atividades – por muitas vezes nem tão intesas assim, infelizmente – reduzidas a zero após o início da greve. O que ocorreu foi uma inevitável paralização generalizada de grande parte da classe artística nos Estados Unidos, já que pode-se considerar o roteiro como base da pirâmide do entretenimento. E uma vez perdida a base...
Sabemos do apoio dado pelas estrelas de Hollywood à paralização dos roteiristas e também o consequente cancelamento da cerimônia de entrega do Globo de Ouro, que é considerado o prêmio mais importante da indústria do entretenimento norte-americana depois do Oscar. Tudo isso são fatores que expoem, sem dúvida, o nível de gravidade dessa situação. Porém, na minha opinião, nada impressiona mais que o apoio dado pela esmagadora maioria dos atores e roteiristas em início de carreira que à primeira vista só estão perdendo com a paralização – não só dinheiro, como oportunidades de crescimento na indústria e também tempo.
Atualmente, na cidade de Los Angeles, o maior pólo de produção da indústria do entretenimento norte-americana, não estão sendo realizadas audições para qualquer tipo de produção, com exceção dos comerciais de Tv e das novelas; até porque as duas novelas mais populares nos Estados Unidos (The Bold and The Beautiful e Days of Your Lives) estão no ar há mais de 50 anos e pelo pouco que já entendi desse sistema, sabe-se lá quando eles resolverão dar um fim à essas tramas.
Grande parte dos meus amigos atores que residem em Los Angeles se viram obrigados a tornar seus day-jobs em trabalhos full-time, tornando-se mestres na incrível arte de servir mesas. Não estão exatamente “living the dream”, mas estão sem dúvida fazendo sua parte para que no futuro as melhorias na classe possam favorecer a todos nós.












