Mercado de Arte

Augustas

por Everson Bertucci


Escola São Paulo apresenta mostra que retrata as várias facetas da Rua Augusta


A exposição abre no dia 25 de janeiro e fica até 1º de abril, na Escola São Paulo

Denise Agassi, Claudio Bueno, Marcus Bastos e Nacho Durán, integrantes do grupo

Quando vai chegando esse período do ano, em que a cidade de São Paulo completa mais um aniversário, todas as atenções são voltadas ao grande evento. E foi pensando nisso que o grupo LAT-23 preparou a exposição Augustas, que ficará aberta à visitação - a partir de segunda-feira (25), dia em que a cidade completa 456 anos de existência –, na Escola São Paulo. O grupo é formado pelos artistas Claudio Bueno, Denise Agassi, Marcus Bastos e Nacho Durán. Eles desenvolvem mapas online, de forma experimental, com o objetivo de desconstruir a cartografia tradicional, ao explorar as possibilidades oferecidas por ferramentas de mapeamento online populares.
 
Augustas retrata as linhas abstratas que representam visualmente o cruzamento de dados e fatos sobre os três quilômetros da Rua Augusta, questiona o momento e onde aconteceram histórias memoráveis ou pequenas trivialidades, além de reunir textos e fotos espalhados graficamente sobre um mapa abstrato, que começa na Rua Martins Fontes, na região central da metrópole0, e termina na Rua Estados Unidos, no Jardim América. A mostra também faz relação entre os preços dos aluguéis, dados sobre a criminalidade, o trânsito e a altitude dos prédios e casas da região.


Os visitantes poderão conferir como a Rua Augusta foi retratada pelos artistas do LAT-23

Tudo o que acontece na Rua Augusta é motivo e material de trabalho para o grupo. E exemplos não faltam: O dia em que os clubbers que estavam dançando no Hell’s foram parar na delegacia; a noite em que o artista plástico Hélio Oiticica pousou de helicóptero na região; o casal que começou a namorar num bar de esquina; as fotos das câmeras de segurança no cruzamento com a Rua Oscar Freire; o filme que foi lançado no Cinesesc, em meio ao caos instalado em São Paulo pelo PCC, assim como o casal que transou em um estacionamento nos arredores.
 
Outros fatos ocorridos na Augusta também são de relevância para o trabalho do grupo, como, por exemplo, as estatísticas inusitadas como quantos litros de cachaça são vendidos num boteco, quantas camisinhas são achadas no lixo de um hotel da região, quantas "médias" são servidas numa padaria, quantos cigarros são comprados numa banca de revista. Enfim... os altos e baixos da rua que não para nunca. Estas e outras histórias reais, narradas na forma de pequenas crônicas em que perdem o caráter de registro e se aproximam de ficções curtas, servem como memórias coletivas de coisas que muitos podem ter vivido, nesta que é uma das principais ruas da cidade.


O grupo desenvolve mapas online de forma experimental, com objetivo de desconstruir a cartografia tradicional

No currículo do grupo há trabalhos como Kandisnky by Perdizes, exibido na exposição Connecting Urban Space, na Galeria Green Papaya (Manilla) e Coexistências, indicado para o Prêmio Autonomias del Desarollo, no Festival Transitio_MX 2009 (México). Atualmente, a equipe desenvolve o trabalho Cidades Visíveis, premiado no Projeto Rumos, do Itaú Cultural.

Para saber mais sobre a exposição, clique aqui


SERVIÇO

  • Augustas
    Escola São Paulo
    R. Augusta, 2239, tel. 3060-3636
    De 25 de janeiro a 1º de abril
    De segunda a sexta-feira, das 9h às 20h; aos sábados, das 9h às 18h.




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