Mercado de Arte
Fundação Chinati
por João Teixeira da Costa
Uma visita ao museu criado por Donald Judd, em Marfa, Texas
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A Fundação Chinati fica na cidadezinha de Marfa, a três horas do Aeroporto de El Paso, num antigo quartel do exército americano |
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As gigantescas caixas de concreto vazado, dispostas pelos limites da propriedade |
A falta de mostras permanentes de arte moderna e contemporânea brasileira tem sido apontada por críticos e artistas como uma das grandes lacunas da nossa cena artística. O argumento principal, se entendi direito, é que sem museus e fundações dedicados a mostrar arte contemporânea a obra dos nossos artistas se torna invisível não só para o público em geral, mas também para críticos, historiadores e mesmo para colecionadores e outros artistas.
De fato, seria muito mais fácil apreciar o trabalho de nossos artistas contemporâneos se sua obras mais importantes estivessem à vista. Inhotim é um excelente começo. Basta uma visita para se perceber que há algo de extraordinário no trabalho de artistas como Cildo Meireles e Tunga, só para citar dois exemplos.
Além disso, uma instalação permanente também pode ser um caminho para que o artista realize por inteiro suas intenções. Eu tive a oportunidade – e o privilégio – de ver isso na prática na virada do ano, na cidadezinha de Marfa, no meio do vazio do oeste do estado do Texas. Não é fácil chegar em Marfa. São três horas de carro a partir do Aeroporto de El Paso, mas um artigo de Michael Kimmelman no New York Times tinha me convencido de que Marfa valia a viagem.
Era lá que o escultor americano Donald Judd (1928-1994) ia quando queria escapar de Nova York e foi lá que ele criou a Fundação Chinati, uma espécie de museu de arte contemporânea idealizado por ele para abrigar os seus trabalhos e os trabalhos de artistas que ele respeitava, como John Chamberlain e Dan Flavin.
Judd era um artista extraordinariamente preocupado com a maneira como devem ser instalados e exibidos os seus trabalhos, e aqueles de seus colegas. Quem vai a Marfa consegue entender sua preocupação. Classificado, contra a sua vontade, como um artista “minimalista”, Judd trabalhava com volumes e formas geométricas, usando materiais industriais como alumínio e plexiglas.
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A instalação feita com cerca de cem caixas de alumínio, com dimensões externas iguais, mas interiores diferentes, assinada por Judd |
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As tais caixas trazem para dentro do galpão a luz e a paisagem do deserto |
Judd não acreditava que pudesse existir vida sem arte, e as instalações que criou para Marfa são um retorno ao ideal renascentista de unir arte, arquitetura e natureza. Para a fundação Chinati, instalada em um antigo quartel do exército americano, ele trouxe a mesma filosofia de arquitetura que havia desenvolvido ao longo dos anos, no seu “loft” em Nova York e nas diversas construções que ocupava em Marfa: adaptar edifícios para seus novos usos, respeitando a integridade e história dos mesmos.
Uma das instalações consiste em 100 “caixas” de alumínio, com dimensões externas iguais mas interiores diferentes, dispostas geometricamente em dois galpões nos quais Judd abriu janelas enormes que trazem para dentro a luz e a paisagem do deserto. A outra instalação é uma série de grupamentos de grandes blocos vazados de concreto ao longo do limite da propriedade. Através da disposição desse blocos, Judd consegue criar ilusões de espaço e nos faz olhar com novos olhos para a paisagem que nos cerca.
Judd atingiu seus objetivos em Marfa, mas suas instalações não são a única razão para ir até lá. Nas próximas colunas escreverei sobre os outros artistas presentes na Fundação Chinati e sobre a arquitetura de Judd na cidade.
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Outra instalação by Donald Judd: série de agrupamentos de grandes blocos vazados de concreto |
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