Cultura

Do you didgeridoo?

por Sarah Lee, redação ONNE


Não entendeu o título? Calma que a gente te explica


Do you didgeridoo?

O didgeridoo é um instrumento de sopro tradicional das tribos aborígenes do norte da Austrália. Agora você pensa: “ahn, mas então é por isso que eu não sabia o que era! Ninguém conhece esse negócio!”. Pois é aí que você se engana; saiba que existe até o Festival de Didgeridoo, organizado pela Associação Portuguesa de Didgeridoo.
O grupo Mawaca
O instrumento está relacionado às crenças religiosas e místicas dos aborígenes, mas alguns grupos musicais já adotaram o didgeridoo pelo seu som peculiar; o grupo brasileiro Mawaca, por exemplo, já o usou em algumas apresentações. Basicamente, ele produz uma nota principal, que é a nota de sua afinação, mas dependendo de como se toca, é possível tirar outros harmônicos.

No Brasil, o músico e DJ Serginho Tchernev é a pessoa a quem recorrer quando o assunto é o didgeriddo, mas ele revela que não gostou do som logo de cara. “Entrei para uma banda de surf music em 1996. O Rafael, baixista da banda, mostrou uma fita cassete de uma banda australiana de surf music/rock/tradicional aboriginal music conhecida como Yothu Yindi (que significa mãe e filho). Ouvi as músicas com as influências de surf e rock e achei espetacular, já as tradicionais achei espiritual demais, muito religioso e muito "pesado", sem saber o que era realmente - mas eram nessas que o didgeridoo estava mais presente. Sinceramente, eu senti um certo medo e passava todas as que eram tradicionais para frente e curtia mais as outras, com instrumentos elétricos”.

Serginho Tchernev e seu didgeridoo

Serginho conta que isso mudou semanas depois, ao fim do show de uma banda australiana chamada Gangajang: “No final, o vocalista soprou um treco de PVC que fazia um som próximo ao didgeridoo; daí eu pensei, ‘será que é isso que eu ouvi naquela fita?’ Achei meio sem graça. Quando acabou o show, apareceu uma chamada no telão ‘Ano que vem... Yothu Yindi no Brasil’. A chamada mostrava um aborígene todo pintado tocando didgeridoo no meio da selva, fazendo um som maravilhoso e com muita vibração!! Meu olhar ficou paralisado, meu coração pediu na hora para que eu tocasse esse instrumento. Meu corpo se arrepiou todo”.

No ano seguinte, em um bar com os amigos, veio a surpresa: “A irmã da minha amiga estava junto e comecei a contar para ela o que eu fazia: ‘Oi, sou o Sérgio, sou músico e DJ. Toco guitarra, violão, percussão e estou interessado em tocar um instrumento aborígine australiano, mas nem vou falar o nome pois você não vai saber mesmo’. Daí a menina falou ‘O quê, o didgeridoo? Eu tenho um, eu morei na Austrália e sei tocar. Se você quiser, pode ir amanhã na minha casa conhecê-lo!’. Eu quase tive um treco na hora e não acreditei na sorte que tive, pois nessa época, era muito difícil alguém conhecer esse instrumento, que dirá ter um”, diz Serginho.

O tamanho do didgeridoo varia bastante

Para tocar o instrumento, a pessoa tem que soprá-lo e fazer com que os lábios vibrem sem parar, fazendo com que o som saia contínuo. É possível ainda fazer a respiração circular, a respiração contínua que permite que se toque o instrumento por mais de uma hora, sem parar para tomar ar. Serginho conta que, antes de comprar o seu próprio didgeridoo, treinava em um cano de aspirador, porque a amiga não emprestava o dela. “Com pouco mais de 15 dias de treino, eu consegui fazer a respiração circular e fiquei 12 minutos sem parar de tocar. Conclusão: meu lábio superior ficou tão inchado que tive que colocar gelo por meia hora “(risos), ele relembra.

Quem se interessar pelo instrumento pode se preparar para desembolsar um bom dinheiro. Serginho conta que seu primeiro didgeridoo, importado da Austrália, “demorou uns seis meses para chegar” e custou 500 dólares australianos (cerca de R$ 800).

SERVIÇO

  • VII Festival de Didgeridoo

    De 22 a 24 de agosto de 2008
    Bilhete – 10€
    Bilhete diário – 5€

    Campismo grátis:
    - Estacionamento para veículos
    - Com balneários
    - Parque de campismo
    - Com chuveiros e local para preparação de refeições
    - Refeitório (almoços e jantar)

    Em Ameixial, Portugal (a 50 km de Loulé e Faro, e a 20km de Almodovar)
    O evento conta com workshops durante o dia e apresentações à noite. Confira a programação:

    WORKSHOPS MASTERCLASS:

    Didgeridoo:
    - 25€ (4 horas, em dois dias)
    - Lies & MT-Yidaki ( 3ple-D )

    Percussão:
    - 30€ (9 horas, em três dias)
    - Sergio Almeida

    Dança Africana:
    - 12€ (6 horas); 5€ (2h)
    - Joana Peres ( ALLATANTOU - Companhia Escola de Dança Africana)

    Cajon:
    - 25€ (4 horas (2 dias)
    - Terrance Samson


    Worshops livres:

    - Lançamento de boomerang - Rodrigo Estiveira
    - Automassagem - Rodrigo Estiveira
    - Didgeridoo – tocar e construção - APD
    - Pintura com terra ( dreamtime animals)- Aline Neve
    - Artes circenses - Associação Artistica Satóri
    - Berimbau de boca - Ortal
    - Passeio Pedreste – Diana

    Moral de Pintura: "Deixa a tua marca..."

    Shows:

    22 de agosto:
    - Exhºr
    - Inp.a.c.to
    - Ortal
    23 de agosto:
    - Nação Vira Lata (ainda por confirmar)
    - Gauthier Aubé
    - 3ple-D

    23 de agosto:
    - Corroboree (tu e o Didgeridoo)
    - Projecção de filmes (vida aborigene)
    - Jam session




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4 COMENTÁRIOS

Ana Berres

No momento estou na australia e ja ouvi algumas vezes pessoas tocando didgeridoo nas ruas. Normalmente em cidades maiores eles combinam o som com meio que uma musica eletronica,e o som e ooootimo. mas o instrumento me conquistou mesmo quando eu estava viajando por aqui, e estava andando na rua e ouvi aquele som vindo de algum lugar, na hora achei que era um cd com varios instrumentos e com um som muito alto, e uma musica muito boa. mas quando passo pela frente da loja tem um cara sozinho tocando didgeridoo. bom. obviamente eu parei la por uns quinze minutos so pra ficar ouvindo. e depois ainda conversei com ele sobre a musica. porque era muitoo bom. e com certeza.. juntar didgeridoo com outros instrumentos eh uma ideia maravilhosa.i

sILVANA

Otima,

Nayala de Souza Ferreira Maia

O músico realmente teve sorte em encontrar uma pessoa que conhecesse e tivesse o instrumento.Não coheço, mas deve ser realmente interessante principalmente porque é oriundo de um povo puro ou seja, "não contaminado" com muito lixo cultural produzido por nossa sociedade contemporânea!

Nadine

Em Balneário Camboriú, na Barra Sul existe um bar chamado Didgeridoo. Servem comida tipica australiana e ainda há um artista que toca o Didgeridoo toda noite. Atencao especial para o delicioso camarao com lascas de côco VALE A PENA !!

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