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As muitas São Paulos da Augusta
por André Sender
Do centro ao Jardins, há um lugar para cada pessoa na Rua Augusta
Existem algumas ruas de São Paulo que mereceriam um estudo antropológico de tão complexas e diversas que são. Uma delas, sem dúvida, é a Rua Augusta que, ao longo de seus mais de três quilômetros, abriga construções de diversos estilos e comércio para todos os públicos.
A Rua Augusta começa no centro da cidade, junto à Praça Roosevelt e acaba no cruzamento da Rua Estados Unidos, nos Jardins. Ou seja: ela sai do mais notório ponto de prostituição de São Paulo e desemboca na meca dos mauricinhos.
Durante os anos 60, via ficou famosa por uma música composta por Hervé Cordovil e cantada por seu filho, Ronnie Cord – “Subi a Rua Augusta a 120 por hora/ Botei a turma toda do passeio para fora”. Lembrou até da dancinha, não é?
Apesar de ter sido o berço dos mauricinhos, hoje, quem avança pela rua entra no habitat da juventude alternativa. Não é difícil encontrar, principalmente aos fins-de-semana, diversas tribos urbanas convivendo, nem sempre de forma pacífica, quase no mesmo espaço.
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As festas do Inferno fazem com que a Augusta fique movimentada durante toda madrugada |
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Trânsito nunca foi dos melhores na Rua Augusta |
Mas, no geral, os freqüentadores têm entre 16 e 30 anos e são amantes de culturas jovens alternativas, principalmente as ligadas ao rock. O estudante de jornalismo e filosofia Felipe Vilasanchez se diverte por lá: “A Rua Augusta tem fácil acesso e vários bordéis com luzes piscando. É engraçado andar por lá”.
Vilasanchez tem apenas 19 anos de idade, mas já tem muito o que contar sobre a Augusta. “Conheci até um corretor de imóveis viciado em cocaína e que era atleta na juventude”.
Como os “habitués” da rua não se preocupam muito em andar somente nas calçadas e invadem o asfalto, o trânsito na região não costuma ser dos melhores.
Atravessando Avenida Paulista, a Rua Augusta segue em direção ao Jardins e apresenta uma faceta comportamental bem diferente.
As construções antigas dão lugar a prédios imponentes e a diversas lojas de roupas. No entanto, uma das construções que mais chamam a atenção no lado “nobre” da Augusta tem mais de 45 anos.
Localizada entre a Alameda Lorena e a Rua Oscar Freire, a Galeria Ouro Fino já concentrou lojas de luxo mas, posteriormente, foi casulo de novos talentos da moda, como Alexandre Herchcovitch, que desenhou por lá suas primeiras coleções.
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Galeria Ouro fino reflete a diversidade paulistana |
Hoje, as lojas da Ouro Fino refletem bem a diversidade do paulistano. Há casas de roupas, assim como lojas de acessórios, em que moderninhos em trajes fluorescentes podem colocar mais um piercing.
Meia quadra para baixo, temos a travessa mais nobre e luxuosa da Augusta, a Rua Oscar Freire. Conhecida por ser a Meca da alta sociedade paulistana, a rua concentra lojas de grifes famosas internacionais e joalherias de luxo.
Próximas ao cruzamento com a Augusta estão o badalado salão de beleza, L’oficciel, as lojas da Lacoste e Lita Mortari e ainda o refinado Oscar Café, que conta com o cardápio assinado pelo chef francês Olivier Anquier
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4 COMENTÁRIOS
Henrique
Uma ótima matéria, gosto muito da Augusta, e nem sempre é correndo da policia, ela pode ser aproveitada por todos, são os dois lados da Augusta, é um dos melhores lugares de São Paulo.
andré
Não conheco mas so louco pra conhecela.
malu
eu que faço parte daquela geração dos ano 60;gostei muito desa materia pois realmente a rua augusta sempra foi dividida pelas classes sociais.... abraços...
Manoel Matias
A Rua Augusta é simplesmente genial e agrada muito muito aos poderosos - porque os pobres quando por lá passam - é correndo da policia.
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