Tecnologia

Uma nova geração dos clubes do leitor

por Thomás Levy


Comunidades online se dedicam a quem tem a leitura como seu passatempo favorito


Os leitores assíduos podem encontrar nesses sites recomendações compatíveis com seus gostos

Há comunidades online para quase qualquer coisa – desde pessoas que querem saber quais as melhores escolas para seus filhos aos que buscam gravações raras de música eletroacústica. Em suma, sempre há um grupo de pessoas com interesses similares aos seus.

As comunidades estão moldando a web. Conforme os grupos se formam, nascem fóruns, portais e blogs especificamente para eles e as grandes empresas que estão prestando atenção neste movimento vem alcançando grandes lucros; afinal, muito melhor do que falar com 10 mil pessoas aleatórias é falar com 10 que querem ouvir o que você tem a dizer.

Um ótimo exemplo disso é a nova iniciativa da Amazon, uma das maiores lojas online do mundo especializada em livros. A empresa comprou recentemente o site Shelfari, uma espécie de Orkut. Nesse site, o usuário cria um perfil e lista seus autores favoritos, livros que já leu e livros que está lendo, e posta críticas e notas para cada um deles.

Baseado nesses dados, o Shelfari conecta esse usuário a outras pessoas com gostos similares para criar uma rede de relacionamento, em uma técnica parecida com a que o site LastFM usa. No fim, o site tem o mesmo papel dos clubes de leitura, hoje mais raros, nos quais grupos de pessoas trocavam recomendações. Há até áreas em que os leitores podem conversar com autores e saber mais sobre a obra de cada um.


A Shelfari mantém rankings com os melhores livros. O repórter já aproveita para recomendar aos leitores "Good Omens"(Belas Maldições), de Neil Gaiman e Terry Pratchett

Qual interesse a Amazon tem ao comprar o site? Simples: há algum lugar melhor para uma livraria do que entre leitores assíduos, que a cada momento recebem novas recomendações? Mesmo que vários dos integrantes do Shelfari sejam de outros países, a loja online se aproveita do fato que livros são isentos de impostos em diversos países. Basta pagar o frete.

Mas a estratégia da Amazon não se limita apenas a este site. Há alguns meses, ela comprou a loja de livros raros Abebooks. Com isso, adquiriu os 40% que a loja possuía da rede concorrente à Shelfari, chamada LibraryThing. A empresa não anunciou se pretende unir as duas comunidades, visto que ambas atendem ao mesmo público.

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