Mercado de Arte

Bienal Naïfs inaugura sua 9ª edição

por Valéria Duarte


Evento abre com inovações na forma de escolha dos artistas participantes


A arte naïf permanece com um lugar relevante na produção artística nacional e para valorizar esta categoria também denominada arte ingênua, espontânea, instintiva, naïf ou naive, o Sesc de Piracicaba organiza a 9ª edição da Bienal Naïfs do Brasil.
A exposição, que acontece há mais de 20 anos, tornou-se uma tradição na cidade. Sua origem está mostras anuais realizadas pelo Sesc de Piracicaba entre 1986 e 1991.


Sheilla Liz

A cada edição do evento, um curador é convidado para promover um recorte sobre o tema. Este ano, o escolhido foi o cineasta e crítico de arte Olívio Tavares de Araújo, mas ele não responde por todo o projeto como ocorria nas bienais anteriores: em 2008, a exposição tem curadoria conjunta da equipe técnica do Sesc Piracicaba, Sesc São Paulo e de três jurados convidados; à Araújo coube somente a sala especial da mostra.

Segundo o curador, a sala especial revela obras de artistas que também têm outras denominações – como espontâneos ou populares – e que apresentam trabalhos mais radicais. “Vejo esse conceito de arte naïf um pouco superado, confuso. Literalmente, naïf quer dizer ingênuo, que se assemelha ao artista que não sabe direito o que está fazendo. Porém, os artistas sabem o que estão fazendo”, disse Araújo em entrevista ao Jornal de Piracicaba.


Deraldo Clemente

O curador contou com uma equipe de sete assistentes espalhados pelo Brasil para ajudá-lo a eleger oito artistas vêm de diversos estados brasileiros. São eles: Roseno, o Antonio Roseno de Lima de São Paulo; Francisco Moraes da Silva, o Chico Tabibuia, do Rio de Janeiro; Alcides Pereira, da Bahia; Manuel Gomes da Silva, o Nuca de Tracunhaém, de Pernambuco; Sebastião Theodoro Paulino da Silva, o Ranchinho, de São Paulo; Eli Heil, de Santa Catarina; Chico da Silva, do Acre e por fim Boaventura da Silva Filho, conhecido como Louco, da Bahia.

Já o júri composto pela antropóloga Ângela Mascelani, o artista plástico e acadêmico, Percival Tirapeli e o escritor e jornalista, Romildo Santanna, selecionou 70 artistas (entre os 452 inscritos), que apresentam um total de 107 obras.


Neri Andrade

A organização da Bienal esclarece que um dos principais objetivos da mostra é dar visibilidade à criação plástica dos artistas naïfs ou ingênuos, divulgando e valorizando o trabalho que desenvolvem.

Além disso, a exposição busca difundir conhecimentos sobre essa vertente artística, por meio de um trabalho educacional que possa contribuir para a democratização cultural e a formação de público apreciador do gênero. Como conseqüência, obtém-se um mapeamento da produção naïf no Brasil, que poderá levar a descoberta de novos valores.

Deve-ser ressaltar que como a maioria dos artistas naifs é autodidata e não tem a oportunidade de expor seus trabalhos em uma instituição, este evento torna-se uma ótima oportunidade de mostrar esta produção que se caracteriza valorizar elementos da cultura popular brasileira.

Valéria Duarte – valeria@cesargiobbi.com.br 


SERVIÇO

  • 9ª Bienal Naïfs do Brasil

    Visitação: até 14 de dezembro de 2008
    Local: Rua Ipiranga, 155 – Centro, Piracicaba, SP




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1 COMENTÁRIO

Manoela Quental

Que beleza ver alguém comentar sobre nossa Arte Naif. Singela, peculiar, verdadeira, assim ela se mostra como um todo. Parabéns Valéria, pela sua perspicácia em saber do que gostamos. Manu

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