Estilo Global

Bolsas sem crise

por Ana Abdul


Bottega Veneta, Fendi e Derek Lam são investimentos certeiros


Bottega Veneta

Fashion, fashion, fashion. Entre setembro e outubro todas as atenções se voltam para as semanas de moda.

Primeiro NY, depois Londres, Milão e, enfim, Paris. Para quem acompanha de fora parece um mundo maravilhoso, de puro glamour. Mas você pode imaginar o que significa assistir a uma média de 12 desfiles por dia (durante um mês) seguidos de visitas a showrooms e jantares de confraternização às 11 da noite?

Na maior parte do tempo essa rotina também inclui estar junto com sua chefe – neste mundo “O Diabo veste Prada” são praticamente 18 horas dentro do mesmo carro pra lá e pra cá.

Exaustivo porém fascinante, o mundo da moda é antes de tudo um grande negócio, que movimenta muitos bilhões de dólares em todo o planeta. Por isso que a queda nas bolsas internacionais e a recessão também mereceram destaque no mundo fashion.

 

O lado positivo nessa combinação de moda e recessão é que os designers lançam coleções e produtos concebidos para durar mais do que apenas uma estação.

A essência da palavra “luxo” muda um pouco, fazendo com que qualquer peça de roupa que apresente o mínimo “bling- bling” seja questionada em favor de peças mais discretas e eternas, como um bom suéter de cashmere.

Essa nova tendência foi já detectada em NY, mas culminou em Milão com o ataque da imprensa  ao desfile do Gucci, que foi considerado comercial demais.

 


Fendi

Depois de todos os excessos dos anos 80 e o boom da internet na década seguinte, os anos 2000  serão  a era de uma elegância mais sóbria e atemporal, o que os americanos classificam como “understated elegance”.

A grife Bottega Veneta , hoje o segundo maior faturamento entre as marcas do grupo Gucci, usou na passarela o seu slogan original:   “when your own initials are enough”(quando suas próprias inicias são suficientes).

A crise econômica mundial e a crescente preocupação com a sustentabilidade vêm causando uma crise de valores na indústria da moda. Mas nós, consumidores de moda e do chamado “luxo”, só temos a ganhar. Afinal, os grandes conglomerados fashion estão sem dúvida prestando mais atenção ao nosso país, assim como na China, na Rússia e em outros mercados emergentes, com poder de compra em ascensão.

Analisando o que os grandes estilistas vêm mostrando nesse último mês, ressalto em NY o trabalho do Derek Lam. Além de ter apresentado na passarela roupas lindas para mulheres reais, mostrou uma linha de acessórios incríveis, com lindas bolsas em couro com alças de corrente que podemos sim chamar de clássicas.

Já em Milão, destaco as bolsas Fendi como “must haves”. Elas têm um ar retrô e  uma certa influência no design das famosas bolsas "Kelly" e "Birkin", da Hermés. Elas apareceram em materiais nobres como píton e croco, mas a versão em lona também é para lá de chique - e mais condizente com a situação atual.

Sobre Paris, prefiro deixar para a próxima semana, já que os desfiles acabaram de terminar. Mas posso adiantar que as bolsas Givenchy estão um arraso. Depois de muitas críticas, o novo designer da marca, Ricardo Ticci, acertou em cheio dessa vez.

Nesses tempos de agora onde "less is more", um pouco de alegria é sempre bem-vinda. Então, que tal dois braceletes iguais em cada pulso? Esses da tradicional joalheria Seaman Schepps de NY são pura felicidade ! http://www.seamanschepps.com/






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