Esportes

Orgulho, preconceito e polêmica

por André Sender, redação ONNE


Mulheres e homossexuais ainda são motivo de controvérsia no futebol profissional


Recentemente, Elton John deixou a presidência do inglês Watford FC e reacendeu uma polêmica que resiste no mundo machista do futebol. O agora ex-presidente do clube é homossexual assumido, fato que invariavelmente virava motivo de piada para os torcedores rivais.

Mas se para alguns um homossexual comandando um time de futebol é piada pronta, para outros é praticamente um motivo de orgulho. O FC Saint Pauli, clube da cidade de Hamburgo, tem à sua frente o ator gay Cornelius Littmann.

O time é uma espécie de Juventus para os paulistanos: não tem nenhuma glória significativa e é considerado o clube “cult” da cidade. Atualmente está na segunda divisão alemã e faz uma campanha mediana no certame.

Elton John, ex-presidente do Watford

O estádio Millerntor, onde a o Saint Pauli manda seus jogos, normalmente fica apinhado de punks e militantes da esquerda alemã, residentes dos ‘squats’ – prédios abandonados e ocupados geralmente por desempregados ou estudantes - existentes nos arredores do clube.  

Aqui no Brasil, o caso é um pouco mais complicado. “Vivemos em uma sociedade em que a homofobia é institucionalizada”, afirma Cezar Xavier, assessor de imprensa da APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo).

Para ele, o Brasil não está preparado para um diretor homossexual. Exemplo disso é o episódio que envolveu o meio-campista Richarlyson, do São Paulo, e o diretor administrativo do Palmeiras, José Cyrillo Júnior. O cartola chamou o jogador de gay em um programa de televisão e acabou sendo processado por Richarlyson. Xavier discorda da atitude do jogador. Para ele, ser chamado de gay não é ofensa.


Cornelius Littmann

No veredicto da ação judicial, que foi arquivada, o juiz Junqueira Filho afirmou que futebol é “jogo viril, varonil (sic), não homossexual” e ainda sugeriu que um jogador gay “forme o seu time e inicie uma Federação. Agende jogos com quem prefira pelejar contra si”. Para Xavier, essa atitude do magistrado revela que “tudo está configurado para legitimar essa postura (homofóbica)”.

Outro exemplo citado foi o de Ronaldo, que se envolveu com travestis, no Rio de Janeiro. “A reação da torcida foi muito irônica, tanto que ele teve que sumir por um tempo para voltar a atuar (Ronaldo continua afastado dos gramados por conta de uma lesão)”.  

Já o diretor de futebol do São Paulo, João Paulo de Jesus Lopes, tem uma opinião diferente. “Nós somos absolutamente tranqüilos em relação a isso, estamos completamente sintonizados com o que é politicamente correto e apoiamos todas as minorias”, declarou. Quanto ao comportamento da torcida, o diretor prefere não arriscar nenhuma opinião: “Aí já fica complicado avaliar. Posso falar pela diretoria, não pelos torcedores”.

Mas se gays no futebol já são motivo de polêmica, o que falar então de mulheres que ditam as ordens em clubes? Se antes elas eram poucas e em clubes de menor expressão, hoje algumas ocupam o cargo mais importante de equipes com renomada tradição local e mundial.

O FC Basel, maior clube da Suíça, é presidido por Gigi Oeri, uma mulher e, ainda por cima, loira. É um exemplo que acaba com duas piadas preconceituosas de uma vez só. A maior glória do cube, a chegada às quartas de final da Copa da UEFA em 2006, foi conquistada já na gestão da poderosa Gigi, a mulher mais rica da Suíça. O clube atualmente lidera a primeira divisão local e espera conquistar seu 13º título nacional.

 


Gigi Oeri, mulher mais rica da Suíça e presidente do Basel

Karren Brady aplaude o Birmingham City
 
A Inglaterra, suposto berço do futebol, também tem uma mulher presidindo um grande clube. Trata-se de Karen Brady, do Birmingham City FC. Ela assumiu o cargo em 1993, quando tinha apenas 23 anos idade. O clube, apesar de não ter muitas glórias, é um dos mais tradicionais da Terra da Rainha: foi fundado em 1875. Na temporada passada, o Birmingham foi rebaixado para a segunda divisão, mas hoje é um dos líderes do torneio e franco candidato à ascensão.

Até o futebol italiano ganhou recentemente suas comandantes. Com a morte do presidente da AS Roma, Francesco Sensi, a escolhida pelo conselho administrativo do clube foi sua filha Rosella Sensi, que assumiu o cargo em agosto. Ela é a primeira mulher a assumir o time, um dos mais adorados da Itália, com 3,5 milhões de torcedores. Coincidência ou não, é uma das piores fases da Roma. A equipe está na parte de baixo da tabela, muito próxima à zona de rebaixamento.

Um pouco mais ao norte, em Bologna, Francesca Menarini assumiu o primeiro posto do Bologna FC depois que a empresa de sua família, a Cogei, tornou-se acionista majoritária do clube em setembro. Mas se depender do atual desempenho da equipe, a cidade continuará famosa apenas pelo molho à bolonhesa. O time não faz uma boa temporada e é sério candidato ao rebaixamento.

No Brasil, o exemplo mais conhecido de uma mulher à frente da administração de um grande clube é Marlene Matheus, que foi presidente do Corinthians de 1991 a 1993.



COMENTE ESSA MATÉRIA




  • Jett Travolta

    Jett Travolta

    Segundo dados, convulsão foi mesmo a causa da morte do primogênito de John Travolta e Kelly Preston

    Leia mais
  • Seleção australiana

    Seleção australiana

    Revista DNA encerrou o ano com um presente para seus leitores: um calendário com seus melhores modelos

    Leia mais

Moda

C6ffe9a0500f0449f8afcf8b1b19415a

Conheça os lançamentos que agradarão a todos os gostos

Veja "Lingerie de verão" e mais!

Cultura

25b9b7df2c123b06df41980d3152e6d3

Exposição reúne fotografias vindas de instituto de Paris

Veja "Mundo Árabe " e mais!