Mercado de Arte

Brasileiros em Veneza

por Valéria Duarte


Lygia Pape ganha prêmio póstumo do júri da Bienal


Lygia Pape, Théia

A Bienal de Veneza de 2009, um dos principais eventos da arte contemporânea internacional, tem uma brasileira entre seus destaques: Lygia Pape. A obra Théia, da artista fluminense, é a primeira imagem que os visitantes vêem ao entrar no Arsenale.

A instalação da década de 70 foi escolhida para abrir a mostra porque expressa bem o título da Bienal deste ano, "Fazer Mundos", ao reunir diferentes linguagens da arte, como o desenho, a instalação e a escultura.  Théia é composta por fios de ouro presos ao teto, formando pilares iluminados por spots.
 
Além de ocupar lugar privilegiado na mostra, Pape recebeu do júri, em caráter póstumo, a Menção Especial "Remaking Worlds" e exibe no pavilhão Itália o histórico Livro da Criação.


Sara Ramo, Quase Cheio Quase Vazio

Completam o time de brasileiros - selecionados pelo curador Daniel Birnbau, e seu assistente Jochen Volz - Cildo Meireles, Renata Lucas e Sara Ramo.
 
O já consagrado Cildo Meireles apresenta a instalação Pling Pling, composta por seis salas interligadas que podem ser percorridas pelo visitante. As paredes das salas, pintadas com cores vibrantes, trazem telas de TV que também mostram cores fortes.
 
Sara Ramo, espanhola radicada em Belo Horizonte, apresenta o vídeo Quase Cheio Quase Vazio e uma instalação inspirada no conto infantil João e Maria.
 
Renata Lucas, por sua vez, realiza intervenções nos espaços da Bienal. Após intensas negociações e algumas idéias descartadas pela organização do evento, a artista consegui permissão para executar um projeto que consiste em colocar uma camada de asfalto sob o solo.

A obra, tal qual uma estrada descoberta após uma escavação, revelaria não resquícios da antiguidade, mas sim elementos do futuro. O trabalho pode ser visto no interior do pavilhão do Arsenale e no piso dos Giardini.


Luiz Braga

Também nos Giardini estão expondo o fotógrafo paraense Luiz Braga e o pintor alagoano Delson Uchoa. Ambos foram convidados pelo curador Ivo Mesquita para integrar a representação brasileira que ocupa o pavilhão nacional.

A escolha de Mesquita revela uma tentativa do curador de mostrar a produção artística desenvolvida fora do tradicional eixo Rio-São Paulo.
 
Luiz Braga
revela paisagens da região amazônica e retratos do cotidiano da população ribeirinha com um olhar que não se limita a capturar a realidade. Desde o início dos anos 80, o fotógrafo vem pesquisando os efeitos obtidos pelos diferentes tipos de iluminação. Neste confronto entre a luz natural e artificial, Braga consegue imagens de grande riqueza cromática.


Delson Uchôa

A pintura de Delson Uchôa também traz cores exuberantes. Em suas telas o artista trabalha de forma obsessiva, explorando das tradições da pintura de fachadas, cartazes e caminhões. Alguns de seus trabalhos são desenvolvidos sobre suportes distintos como fotos e tecidos plásticos.

 
Valéria Duarte – valeria@cesargiobbi.com.br


SERVIÇO

  • 53º Bienal de Arte Contemporânea de Veneza

    Visitação: até 22 de novembro de 2009




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1 COMENTÁRIO

Veridiane Queiroz Galvão

Parabéns pela matéria. As análises de Valéria são sempre muito bem descritas, nos dando vontade de ir conferir cada Amostra. Mais uma vez, esta não ficou atrás. Quem for a Veneza, não pode perder. Veridiane

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