Cultura
The Cranberries
por Raul Mozardo, colunista ONNE
A “frutinha irlandesa” está de volta!
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É 29 de janeiro de 2010. Credicard Hall lotado, todos a postos na noite de sexta-feira úmida, porém não mais chuvosa. Com um pequeno atraso vão entrando um a um até completar a formação original há sete anos separada e reintegrada no ano passado. Cranberries, nome dado a partir de uma fruta típica da Irlanda, estão pela primeira vez em São Paulo e no segundo show da turnê brasileira. Por último entra em cena a mocinha de voz forte – Dolores O´Riordan. Mocinha por parecer tão frágil e delicada, mas com um timbre perfeito para se cantar Rock´n Roll, tanto nos registros graves, quanto nos agudos e na voz de cabeça (técnica na qual o som ressoa no crânio alcançando tons além da tessitura natural).
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“Hello São Paulo(…) How are you?” pergunta Dolores, aproveitando para introduzir o show com “How”, uma música bem marcada e bem grave nas estrofes, seguindo com “Animal Instinct” já mais melódica que a anterior. E chega a vez de “Linger”, o primeiro sucesso da banda e uma das mais, senão a mais conhecida do grupo Irlandês. A voz e trejeitos de Dolores são sua marca registrada inconfundível e, por sinal, é o sal do tempero da salada, ou seja, o principal aditivo da banda. As “puxadinhas” nos finais de frase e seu sotaque arrastado, acrescidos do permanente estilo alternativo e distorções em acordes simples são a fórmula do sucesso do Cranberries.
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Apesar da simpatia de Dolores que se movimentava bastante por toda a extensão do palco, o show em alguns momentos transcorreu morno. Os músicos cumprem bem com suas partes, mas não são tão carismáticos quanto a, por que não dizer, band leader. O baterista Fergal Lawler é simplesmente avassalador. Toca com vontade e faz as baquetas pularem de uma maneira frenética, transmitindo até o público sua empolgação nas viradas e principalmente nos finais das músicas, que na maioria delas acabam com riffs bem acentuados.
O guitarrista Noel Hogan tem uma postura em palco mais introspectiva que muito raramente se libertava e saíam alguns rodopios de braço direito, finalizando em palhetadas firmes marcando o tempo da respectiva música. Já seu irmão Mike Hogan é ainda mais na dele, toca bem centrado e cumpre bem com seu papel de baixista bem comportado. Tinha também um tecladista, violonista e backing vocal que ficava ali atrás sob seu chapéu dando apoio à banda.
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Do meio para o fim do show, quando as músicas mais pesadas foram tocadas o público veio à loucura e por muitas vezes Dolores ouviu os fãs cantando em coro as letras de cor e com um inglês bem compreensível. As músicas “Ode to my family”; “Salvation”; “Zombie”; “Promises” e “Dreams (a saideira)” foram as mais cantadas e aplaudidas... e gritadas. Aliás, de grito não só o público como Dolores também é boa. Boa, porém consciente, pois sua voz seguiu esplêndida até a última música e, diga-se de passagem, bem melhor que nas primeiras, por estar mais bem aquecida. Set list:
É claro que estamos falando de um show inédito no Brasil até então. Se a banda tivesse passado por aqui há dez anos, provavelmente o repertório seria praticamente o mesmo. A maior parte do show foi recheada com músicas dos anos noventa, que foi também o período mais produtivo da banda. O que nos resta agora é torcer e aguardar um novo álbum cheio de músicas compostas aos moldes da fórmula do sucesso desta banda que sabe representar e muito bem o bom e velho Rock´n Roll.
How
Animal Instinct
Linger
Ordinary Day
Wanted
You and me
Dreaming my dreams
When you're gone
Daffodil Lament
I can't be with you
Pretty
Ode to my family
Free to Decide
Waltzing Back
Switch off the moment
Salvation
Ridiculous thoughts
Zombie
Bis:
Empty
Promises
The Journey
Dreams
SERVIÇO
Raul Mozardo é Músico, Relações Públicas com especialização em Jornalismo Cultural e Coordenador de Eventos da In Concert Produções e Eventos.
Twitter: @raulmozardo
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5 COMENTÁRIOS
amanda
Nada como U2!! Esses sim sao irlandeses que dao gosto de ver e tem ENERGIA!!!!!
Érica Meireles
Muito bom o show.Fui pro de BH e quase fui pro de POA. A Doll é sensacional. Se eu já era fã, sai do chevrolet hall na noite dia 31/01/10 AINDA MAIS!
Alice Costa
Adorei ler a matéria. Fui ao show e ao ler pude relembrar cada momento e constatar que foi exatamente o show. Pra mim...perfeito!!
João P.
O show foi incrível. Parabéns pela matéria que está ótima. Somente um comentário: O show não estava morno, a sintonia foi perfeita.
ariadne
Muito legal a matéria! O autor escreve muito bem! o Show também estava muito bom!
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